Source: TEDx Talks
Comunicao o que nos une | Sheylli Caleffi | TEDxENIAC
Jun 28, 2023 · 12m 56s
https://www.youtube.com/watch?v=y4zotIMYzrc
Pensa na ltima comunicao que voc fez. Voc mandou uma mensagem pra algum, um udio, respondeu uma pergunta, fez uma pergunta, ou comprimiu algum aqui pessoalmente. E quando voc se comunicou, voc fez isso. Por querer, sem querer, ou sem entender, voc no se querendo, porque s tem essas trs formas de comunicar, voc sabe? Por querer, quando a gente se concentra, a gente traz inteno pra essa nossa
fala, pra essa nossa comunicao. Sem querer, quando a gente no pensa muito, ou quase nada. Sabe aquela notcia bombstica que chegou no seu WhatsApp, e voc compartilha, depois se descobre querem a verdade. Voc no se deu o trabalho de procurar a informao, e realmente foi sem querer. Voc no queria fazer aquilo. Ento, tava a comunicao sem querer. E tem assim querer querendo que voc sabe que
vai dar ruim. Voc sabe que vai machucar algum. Voc sabe que aquela comunicao vai gerar um conflito, mas voc no resiste, porque voc humana. E s vezes a gente faz tudo isso ao mesmo tempo. E eu t com uma msica na minha cabea, entrou-se um arcio aqui pra me ajudar. Eu t com uma msica, sabe o que eu colo uma msica, ela fica returando. Essa msica
tem uma personagem que faz todo esse tipo de comunicao. E eu quero que vocs presten a inteno nela pra ver onde que ela faz como no que querer. Sem querer. E vai se adlomerando por varela, no portanto. Mas quem eu queria no veio nunca. Por no gostar de msica e no ter corao. Acabo perdendo pacincia, estou cansada, cansada de esperar. Eu vou vender meu rdio a
qualquer um por um represso s pra no. A gente quer que voc conhece a coragem, que a gente do amor era descrente, quase sempre. A gente gosta de quem no gosta da gente. Onde que a nossa personagem se comunicou por querer? Comprei um rdio muito bom a prestao. Est contando de uma conquista, t fazendo essa comunicao? Por que quer? Onde que ela se comunicou sem querer?
Eu vou vender meu rdio a qualquer um por qualquer presto s pra no. A gente no me ama o final que essa se aborrecer. Vai vender, no vai! Acabou de comprar o rdio bom, gente. Est mentindo! Est no calor da emoo. A gente no gosta da ela mesmo, e difcil. A gente se emitir que algum no gosta da gente. Mas a gente vai ser a profunda,
mas nisso. Agora eu quero que cada um aqui imagine que um instrumento musical. Qualquer instrumento, piano, vale, flalta, pode ser, voc pensou em flalta? Pode ser uma flalta. Chocalho, que seu chocalho, est valendo. Qualquer instrumento, pensou. Agora que todos ns, eu tambm, somos instrumentos musicais, ns temos essa habilidade incrvel de reverberar, so reverberar as msicas que a gente escuta. Quando algum toca ou alguma coisa toca
na gente, a gente transmite essa vibrao. Eu sempre pensei a comunicao assim, que eu fao uma coisa aqui, ela gera como que uma onda que vai encostar em vocs, e vocs tm a oportunidade de reverberar. Lembra quando eu perguntei qual a ltima comunicao que vocs fizeram? A maioria provavelmente estava respondendo ao estmulo, reagindo a uma coisa que algum enviou. Isso o que a gente mais faz,
reagir na comunicao. Mas no a nica coisa que a gente pode fazer. Quando a gente reage, a gente reage, por querer, sem querer, sem querer querendo. Um instrumento musical comum, voc encosta nele e ele faz sem querer automtico, ele j reverbera. Mas at um, mais pode demonstrar pra gente. Muito obrigada. Reverbarou em manh de atomento. A gente no precisa ser assim. A gente tem a oportunidade
de decidir se a gente vai mudar a letra da msica, se a gente vai mudar o tom, se a gente vai mesmo cantar essa msica pra frente. Se a gente quer isso, imagina que o oco quer. Se a gente assim, se durante um dia inteiro ningum compartilhar essas ideias de outras pessoas. Pra compartilhar uma ideia de algum, voc ia ter que pegar essa msica pra voc
ensaiar no seu instrumento, ver se fazer sentido e ainda voc poderia compartilhar. Eu fao isso sempre. Quando eu compartilho alguma, bobagem. O bvio me notcia que eu gosto, eu sempre falo por qu? Isso um jeito de se responsabilizar pelo disso. Assim, a gente tem um pouquinho mais de querer na nossa comunicao. Um dia eu resolvi mandar uma mensagem pra uma amiga minha. Do nada. Tipo veio
na minha cabea. A mensagem era algo assim. Quando eu comecei a falar de estupro na internet, eu no sabia o que ia acontecer. Eu estava apenas cantando uma msica que fazia sentido pra mim. Doloriedade fcieu, mas importante pra mim. E a vrias pessoas comearam a me mandar suas msicas. Difces de tocar. Difces at de escutar. Eu descobri alis que tem msicas que quase ningum gosta de
um mundo. E a eu vou ouvir que so essas msicas, porque elas vm de um lugar onde parece impossvel cantar e danar. um lugar que a gente chama de tabu. Esse silncio imposto que tenta apagar o que a gente sente aqui, o que t aqui e as melodias que esto por aqui. Esse lugar muito silencioso, s que tem uma coisa. No existe nada mais poderoso do
que uma histria vivida. E a histria vivida, ela sobrevive at nesse lugar silencioso, onde tem ausncia total de vibrao. E muitas histrias, alm de sobreviveis, capam. E algumas delas vm se abrigar no grupo que eu fundei de apoio vtimas de violncia sexual, chamado as incrveis mulheres que vo morrer duas vezes. L voc pode encontrar a histria da Jacques que disse o seguinte, meu filho a prova
do meu estupro. Ou a histria da Susana, que era violentada e amensada por quem deveria proteger ela. E a nossa histria a nossa prpria histria, com altveis e sem medo. Porque ela sua, ela merece um lugar no mundo. Um dia eu recebi uma mensagem e dizia assim, voc aquela moa que fala de estupro na internet, falei s. E eu tava pensando se eu posso te fazer
uma pergunta, falei pode. Sabe aquela pessoa que escreve, envia. Escreve, envia. Cada frase um entero assim. Ele falando comigo. Era uma menina de 14 anos que queria falar comigo sobre esses assuntos. Se ela tava falando comigo, uma desconhecida da internet, porque ningum queria um viso que ela tinha para dizer. Ela me contou que quando ela tinha 9 anos, ela foi abusada pelo marido de uma prima.
E que ele foram embora para outra cidade, mas agora ele tinha um voltado e ele tava perseguindo ela e tava mandando mensagens tambm. Naquela poca ele dizia que macaria a me dela se ela contasse para algum. Mas agora ela tava gostando de julgar. Eu tenho por princpio l no grupo, no falar o que uma vtima deve fazer. Voc tem que fazer terapia? Voc tem que falar
para algum? Porque vtimas j foram obrigadas a muita coisa, elas precisam que a autonomia. S que era uma menina. Era uma adolescente. Ento eu comecei seguindo o meu princpio. Fui batendo para com ela. No tenho que falar. Eu no sei se ela era uma professora, algum que voc confia, algum que voc gosta. At que depois de um tempo, um ms e pouquinho ela conseguiu falar para
a me. Qual foi a reao da me? Deixa ela de castigo e sem internet. Porque no contou antes. Foi o jeito que a me dela conseguiu reagir. Descubriram que esse homem tinha violentado uma outra menina na mesma escola. Ele vamos dois anos para conseguir empreend-lo. J essa menina de 14 anos virou uma das mais participativas no grupo. Ela recebia todo mundo que chegava l. Isso s
aconteceu porque eu comuniquei. E porque ela comunicou. A comunicao foi o que nos uniu. Eu tenho recada importante. Ateno. Vai chegar a uma msica at vocs. E ela vai fazer de tudo para vocs reverberarem ela. Ela vai chegar por texto, por imagem, por udio. Vai chegar de todo lado. E quando ela chegar, eu quero que vocs lembrem que vocs no precisam tocar essa msica. E que
ela no precisa tocar vocs. justamente o contrrio. Ela s chega at vocs porque vocs so extraordinrios. Por isso que um monte de msica fica competindo pela nossa ateno, pedindo para a gente compartilhar. Tem msica que bate na nossa cara. uma msica que se no uma msica que se no uma msica. E na distrao, meio tontos, a gente vai compartilhar sem querer. Sem querer andos vezes. Eu
sei que quando falo que a gente extraordinria, difcil acreditar. Talvez nesse momento voc tem de se sentir num lixo. Voc tenha passado por uma violncia. Voc tenha perdido algum e voc esteja doente. Ento eu peo a sua confiana. Para se conectar comigo agora. Porque quando eu comecei a falar minha histria eu estava em pedaos, eu no conseguia ver um futuro. E as pessoas que me mandam
suas histrias de dor tambm no conseguem ver um futuro. Mas hoje eu sei. E todo mundo do meu grupo sabe que mesmo que voc no veja sada. Mesmo que voc esteja chido de pensamentos e sentimentos horrveis. Voc ainda o ser humano extradinrio. Eu sei disso porque eu dou aula. As pessoas chegam de forma insegura e saem me surpreendendo sempre todo mundo tem potencial. A quem serve
um discurso de que a gente no pode, de que a gente no suficiente, de que falta fazer alguma coisa. Isso mentira. Cata que tu de nossa importa.
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